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Fortes e Ousadas: conheça Nina Simone

“Liberdade é não ter medo.” Eunice Waymon é o nome de batismo. Nina Simone (1933-2003) é o de guerra. Nina mudou de nome ao começar a cantar em cabarés escondida de seus pais. Saiu da Carolina do Norte, nos EUA, para ser imortalizada no mundo cantando jazz, blues, folk, soul, entre outros ritmos. Com sorriso […]
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Fortes e Ousadas: conheça Nina Simone

“Liberdade é não ter medo.” Eunice Waymon é o nome de batismo. Nina Simone (1933-2003) é o de guerra. Nina mudou de nome ao começar a cantar em cabarés escondida de seus pais. Saiu da Carolina do Norte, nos EUA, para ser imortalizada no mundo cantando jazz, blues, folk, soul, entre outros ritmos. Com sorriso e carisma maiores do que seu imenso coração, a diva negra é a voz da famosa canção Feeling Good.

Nina era absolutamente comprometida em mudar o mundo à sua volta. Foi ativista dos direitos civis desde pequena. Em seu primeiro recital – aos 11 anos de idade – solicitou que seus pais fossem deslocados das últimas fileiras da plateia para perto do palco, já que não tocaria sem vê-los, o que contrariava os costumes racistas da época em que aos negros eram destinados somente os últimos assentos.

Aos 17 anos de idade, Nina não foi aceita no Curtis Institute of Music – um conservatório de música clássica – e ninguém tirou da cabeça dela que a rejeição acontecera por ser uma mulher negra. Mas não foi apenas o racismo que transformou a vida de Nina Simone. Casada com um policial, Nina também chegou a ser espancada pelo marido.

Nina Simone sofreu preconceito por ser negra, violência familiar, e tudo isso pode ser ouvido, visto e sentido no seu piano. Com um incrível talento para o instrumento, a cantora se destaca pela sua voz e inteligência musical, mas também pela potência de suas canções próprias ou interpretadas.

O ativismo sempre foi uma marca de sua personalidade e uma constante em suas letras. Four Women conta a vida de diferentes mulheres, com diferentes histórias de vida – algumas mais sofridas do que outras -, de diferentes raças, mas que não tiveram voz, não sem Nina. Ain’t Go No/I Got Life é um símbolo de luta, de resistência. Aqui, Nina está sem casa, sem sapato, sem dinheiro, mas tem o seu cabelo, a sua pele, e tem a si mesmo. I Want a Little Sugar in my Bowl é um desabafo: quem nunca quis que o mundo girasse ao seu redor ao menos uma vez? Quem nunca quis um pouco de açúcar em sua tigela? Ainda mais, quem sofreu tanto. Nina também gravou e emprestou sua voz a famosas canções que tomaram uma alma própria com sua interpretação, como Here Comes The Sun dos Beatles, e Suzanne de Leonard Cohen.

Sua linda e poderosa voz se calou em 2003, mas seu espírito e seu charme permanecerão vivos dentro de quem tem o privilégio de compartilhar um mundo de sorrisos e lágrimas com ela. Basta ouvi-la.

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